As 4 tendências que impactarão o consumo em 2016

A pesquisa feita pela Mintel, agência líder mundial em inteligência de mercado, indica quatro modelos tendências que impactarão o consumo em 2016 no Brasil.

Após um ano de recessão econômica, a dicotomia na política nacional parece estar longe de acabar agravando ainda mais a situação do país. Nesse contexto, nunca se debateu tanto sobre política e economia, e pela primeira vez a corrupção é vista como o maior problema do país.

Diante desse cenário é evidente que os brasileiros estão mais engajados, politizados, vulneráveis a preços e abertos a novidades. Essa sensação de insegurança e incerteza do mercado deixam os varejistas ainda mais apreensivos.

Novos modelos de consumos estão sendo construídos e o momento agora é de observar o comportamento do consumidor e aprender com ele.

As tendências que impactarão o consumo apresentadas pela Mintel mostram que o consumidor está cada vez mais explorando meios de compra alternativos como o consumo colaborativo, aluguel e troca, descobrindo como economizar com práticas ecológicas e usando cada vez mais as mídias sociais para denúncias, inclusive abusos e má serviços prestados pelas empresas.

O arranjo familiar também está passando por grandes transformações e essas novas formas de convivência impactam o consumo residencial, exigindo das empresas maior atenção para atender a essas novas necessidades.

Heróis da pechincha

Independente de falta de dinheiro as necessidades continuarão existindo, o que exigirá do consumidor maneiras alternativas de contornar esse problema.

Troca de mercadorias, aluguéis e compras compartilhadas são um bom exemplo de como continuar aproveitando os pequenos prazeres da vida sem ficar no vermelho ao fim do mês.

Formas alternativas de pagamento mudaram a definição de posse, dando aos consumidores acesso a produtos e serviços sem precisar gastar muito dinheiro. Atenta a esse novo modelo a Dress & Go aluga vestidos de marca de luxo para que seus clientes possam manter seu estilo de vida sem gastar muito.

O conceito de “pague o que quiser” está se espalhando pelo país, é o caso da Preto Café em São Paulo e Curto Café no Rio, onde os clientes têm autonomia para definirem quanto querem pagar.

Em Curitiba, os clientes do Ecozinha pagam o quanto querem baseado no custo de produção da refeição e ainda tem a opção de ajudar a lavar a louça para cobrir os custos.

Os consumidores também aprenderam a lucrar negociando objetos que não utilizam mais ou oferecendo hospedagens para aqueles que querem economizar. Eis o porquê cada dia que passa vemos mais e mais aplicativos como Uber e sites como o Airbnb conquistar um público cada vez maior.

Sede por mais

Juntamente com problemas de clima, os consumidores brasileiros começam a descobrir que adotar práticas ecológicas pode ajudá-los a economizar dinheiro.

As marcas que oferecem produtos com maior eficiência energética saem na frente, pois não só ajuda o meio ambiente como também garante que o consumidor pague menos na sua conta de água ou energia.

“Nós vimos as empresas assumirem um papel de consultores, educando os consumidores em medidas de gestão de resíduos.” Exatron

Em alguns lugares os consumidores já podem garantir desconto nas suas contas de energia reciclando resíduos. Eles também podem trocar garrafas e latas por descontos nas máquinas de refrigerantes operadas pela Triciclo.

A exigência da adoção de sacolas de plástico vegetal pelo governo de São Paulo fez a rede Carrefour e Pão de Açúcar cobrarem R$ 0,08 por sacola, em contrapartida os consumidores passaram a levar sua própria sacola para economizar.

Aplicativos como o Agrosmart ajuda os agricultores a saberem qual a quantidade exata de água é necessária para irrigar sua lavoura. Já o PortoLeve em Recife tem um serviço de compartilhamento de carros elétricos.

Ocupe Brasil

A politização dos brasileiros está mais evidente e os consumidores denunciam de tudo, desde falta d’água a corrupção, passando pelo abuso de poder, gastos públicos e aumento de preços. Dessa forma, ajustar a marca na busca de práticas mais justas é fundamental para a sua relevância no mercado.

Atualmente as marcas não só apoiam causas cívicas, como em muitos casos são protagonistas de iniciativas transformadoras na região onde atuam. Em 2013 o título da campanha publicitária Vem pra Rua! da Fiat, que encorajavam os brasileiros a abraçarem um sentimento mais patriota durante a Copa das Confederações, foi utilizada para convocar mais e mais pessoas para as manifestações.

A Tang por exemplo incentiva as crianças a se unirem para conquistar mais e tornar o mundo um lugar melhor. A Red Bull está apoiando um concurso para projetos tecnológicos inovadores que possam melhorar a cidade de São Paulo.

Já a marca de roupas Reserva se uniu a plataforma social Tá No Mapa para criar um linha de estampas que incluíam alguns dos bairros mais pobres do Rio, chamando a atenção dos seus clientes para as favelas.

Marcas progressistas irão se alinhar com as buscas dos consumidores por práticas justas, levando a responsabilidade social corporativa a outro nível, empoderando os consumidores e permitido que eles sejam os condutores de mudanças positivas dentro de suas comunidades.

Famílias alternativas

Pais e mães solteiros, casais do mesmo sexo, relacionamentos com uma grande diferença de idade, meios-irmãos,  colegas de apartamento e até pets.

A forma como os brasileiros vivem juntos e criam laços evoluiu significativamente, resultando no surgimento de novas formas de convivência e essas formas interferem na maneira como as marcas se relacionam com seus clientes.

Nesse novo arranjo familiar os papéis individuais se redefinem. Os homens cada vez mais se envolvem com tarefas do lar e a educação dos filhos, consequentemente são eles que decidem quais produtos comprar para essa finalidade.

A questão de gênero está se reinventando e relacionar produtos de limpeza a imagem da mulher não tem mais o mesmo efeito de antes. A Gol comemorou o Dia das Mães em 2015  com uma série de comerciais apresentando um casal homossexual fazendo o papel de mãe e uma mãe solteira fazendo o papel de pai.

A campanha natalina da O Boticário apresentou duas meias-irmãs se encontrando pela primeira vez e apesar da indignação de grupos conservadores, a Natura reafirmou o patrocínio a novela Babilônia que apresentou casais homossexuais.

“Consideramos justa toda forma de amor.” Banco do Brasil

Já é possível encontrar banheiros e coleções de roupas unissex, espaços reservados para pets nas empresas, além personalizar o gênero em alguns sites como o Facebook.

Como os consumidores estão mais conscientes das famílias não tradicionais, os brasileiros irão buscar marcas que apresentem características das várias dinâmicas do ‘novo normal’ e as marcas terão que oferecer mais do que apenas a aceitação e apoio social.

Elas precisarão promover a flexibilidade, oferecer produtos, serviços e planos para integrar lares tão diversificados quanto variáveis.

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Como controlar o giro de estoque

Robson Lins

Bacharel em Administração pela Universidade Federal de Campina Grande, CMO na AM3 Soluções, apaixonado por cinema, música e tecnologia.

4 Respostas para “As 4 tendências que impactarão o consumo em 2016”

  1. Marcely

    O avanço da tecnologia e o facil alcance das pessoas a internet tem causado grande impacto nesses fatores e novos jeitos de consumir. As pessoas estão cada vez mas antenas as situações cotidianas. Todos conectados em seus smartphones, computadores pessoais ou tablets compartilhando mais e mais informações em tempo real, sendo elas veridicas ou não.

    • Isso mesmo Marcely, o mero espectador está cada vez mais raro. Agora as pessoas não são mais apenas consumidoras de conteúdo, mas também o produzem, expressão suas opiniões, denunciam e iniciam campanhas em prol de algo que acreditam ser bom para sociedade.
      Obrigado pelo comentário.

  2. Isso mesmo Marcely, agora as pessoas não são mais apenas consumidoras de conteúdo, mas também o produzem, expressão suas opiniões, denunciam e iniciam campanhas em prol de algo que acreditam ser bom para sociedade. O mero espectador está cada vez mais raro.
    Obrigado pelo comentário.

  3. João Bosco Bernardino

    Estamos partindo para um modelo de consumo jamais visto, que e o consumo mais consciente. Aliado a isso temos a população cada vez mais ciente de que podem e devem exigir por bens e serviços de alta qualidade. E que no final esses têm também um “poder” novo.
    Parabéns pelo texto.